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Valor Investe- Não há confiança no governo e agenda fiscal deve ficar para 2023, diz Julius Baer Family Office

A sucessão de choques causados pelos efeitos da pandemia e a manobra do governo Bolsonaro para driblar o teto de gastos gerou a desconfiança entre agentes do mercado de que 2022 será um ano praticamente perdido para a economia do Brasil. É o que sugerem os economistas do Julius Baer Family Office.

“Era claro, para nós, um crescimento de 5% esse ano, mas vemos que a atividade já começa a ser contaminada no quarto trimestre. Então, revisamos para 4,7%. Prevíamos 2% de crescimento no ano que vem e revisamos para 1%. Não vejo um cenário desastroso de recessão, mas um crescimento de 1% no ano que vem é muito próximo do carrego, é como crescer zero”, comenta o sócio e diretor do Julius Baer Family Office, Samuel Pessôa, em conversa com jornalistas nesta sexta-feira.

Fora os choques internacionais de oferta e demanda que bagunçaram a economia global no último ano e meio, contribuindo para pressões inflacionárias acima do esperado, Pessôa destaca que, no âmbito doméstico, a tramitação do projeto de orçamento de 2022, ocorreu de forma surpreendentemente negativa.

“Não imaginávamos que haveria um ataque claro, direto, aos parâmetros estabelecidos na Emenda Constitucional 95 [do teto de gastos]. Pensávamos que a solução fosse de outra forma. Sabíamos que podia haver uma solução extra-teto, mas num patamar menor e de outra forma jurídica. Do jeito que foi, parece muito ruim e foi assim que os mercados responderam”, afirmou.

Embora acredite que a pressão popular levará a um reajuste que tornará a PEC dos Precatórios menos agressiva para os gastos públicos, o economista observa que o estrago já foi feito e que o governo federal perdeu a confiança em relação à capacidade de promover uma agenda fiscal e reformista séria.

“Não há nenhuma confiança. A gente já viu a tramitação da medida provisória da Eletrobras e a emenda saiu pior do que o soneto. O projeto de lei final que foi aprovado é um horror. Era melhor não privatizar. A gente tem que lembrar que as reformas são muito importantes, mas não qualquer reforma”, declarou Pessôa. “Qualquer reforma agora vai ser só árvore de Natal e servir a grupos particulares. O ideal é que não se faça nada. Hoje o reformismo é não fazer nada e deixar para o próximo governo”, acrescentou.

“A gente tem visto que o presidente Bolsonaro não tem apetite pelo processo de liderança. Ele tem outra agenda e não é a de aumentar a eficiência econômica e colocar o país para crescer”, criticou Pessôa.

Para o diretor de investimentos e sócio do Julius Baer Family Office, Paulo Miguel, a agenda em 2022 é de contenção de danos e o primeiro ponto de referência fundamental é resolver o projeto de orçamento.

“Os parâmetros de 2022 estão dados. O espaço de dano adicional, até por limitações de legislação a partir de abril, fica muito reduzido. Passando esse orçamento, não vemos uma grande questão de piora estrutural acontecendo. Pode haver temas pontuais como, por exemplo, se por alguma razão os preços de combustíveis continuarem subindo e detonar movimentos temerários para tentar lidar com o problema de forma improvisada”, comentou Miguel, reforçando que espera iniciativas produtivas para a economia somente em 2023, após o encerramento do período eleitoral no ano que vem.

Acesse conteúdo no site da Valor Investe: https://valorinveste.globo.com/mercados/brasil-e-politica/noticia/2021/11/05/nao-ha-confianca-no-governo-e-agenda-fiscal-deve-ficar-para-2023-diz-julius-baer.ghtml

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