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Valor Econômico- Retomada econômica torna a prevalecer sobre cena política no mercado

As perspectivas de virada de página na pandemia, e consequentemente de continuidade na retomada econômica, foram soberanas nesta segunda-feira (12).

Não fizeram preço as novas ameaças de ruptura democrática feitas pelo presidente Jair Bolsonaro no fim de semana. Que incluíram, aliás, ataques ainda mais pesados à honra do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Luís Roberto Barroso. No entanto, ninguém pareceu dar muita bola para o blablablá de que, sem voto impresso, sem eleições.

Enquanto Bolsonaro esperneia, com a maioria da população favorável ao seu impeachment, os chefes do Legislativo se posicionam bem claramente contra eventual tentativa de golpe. Até mesmo seu vice, general da reserva Hamilton Mourão, desdenhou nesta segunda-feira à CNN Brasil desses rompantes presidenciais que tem feito investidores estrangeiros relembrarem nosso histórico autoritário.

Já ao anúncio de vacinação ainda mais cedo no estado de São Paulo, coração do PIB nacional, se deu importância na tomada de decisões.

Para começo de conversa, 2022 é um problema para depois (rimou). Porque, em 2021, conspire o quanto Bolsonaro quiser com suas teorias de zapzap, o que se tem é uma economia crescendo mais do que no ano passado. E ainda que o presidente pouco tenha feita para acelerar a imunização e permitir uma retomada sustentável, ao contrário, governadores como o de São Paulo parecem redobrar esforços.

Ajudou ainda no clima menos ruidoso o dia de descanso na CPI da covid, que volta aos trabalhos apenas nesta terça. E antes de alguém sair de novo preso ou nova denúncia ser feita contra o governo, o Ibovespa subiu 1,73% nesta segunda-feira, aos 127.594 pontos.

De suas 84 ações, só seis fecharam em baixa. Um resultado bem diferente das apenas sete altas batidas no último pregão, na quinta. A carteira teórica movimentou R$ 19 bilhões, abaixo dos R$ 24 milhões médios diários de 2021.

  • Como não poderia deixar de ser, foram muito bem, obrigado, ações das empresas cujos resultados dependem essencialmente da imunização da população para melhorar. Subiu 8,18% o papel da Embraer, que mais tende a vender aviões conforme mais normalizado seja o mercado de turismo. E, por sinal, a companhia anunciou novos pedidos de jatos.
    Setorialmente, foi destaque também quem mais têm sido desde o ano passado. As companhias ligadas aos preços do minério. No time da mineração, subiu 1,51% a ação da Bradespar, integrante do controle da Vale, cujo papel avançou 1,24%. Entre as vendedoras de aço, despontou com 6,17% a ação da CSN. O preço do minério subiu pouco mais de 1% nos portos chineses neste última rodada, aos US$ 218 por tonelada. Parte da sustentação veio da confirmação de maiores estímulos dados pelo banco central da China para turbinar de volta a atividade local, que vai desacelerando.

 

O placar esteve em linha com o exterior. Acompanhou tardiamente o recorde triplo das bolsas de Nova York quando a sexta-feira passada foi de feriado em São Paulo. E refletiu também o repeteco da marca neste pregão em Wall Street. O sinal verde dado por lá antecede a temporada de balanços do segundo trimestre, que começa com os bancões americanos nesta semana. E que, como aqui, é carregada de expectativas positivas.

Com esse pano de fundo, o dólar comercial cedeu 1,13%, aos R$ 5,1750.

“Vivemos um momento ambíguo no mercado”, definiu no programa João Guilherme Penteado, sócio e diretor da Apollo Investimentos. “O foco tem passado a ser novamente nos riscos fiscal e eleitorais enquanto a economia vive um momento de reaquecimento. Em paralelo, temos ainda a discussão controversa das reformas.”

Fora os decibéis elevados da discussão política, Penteado cita ainda as reformas como motores de volatilidade. “No caso da administrativa, nem vejo como reforma, é para inglês ver. É como se você dissesse que vai fazer uma reforma na sua casa, mas comprasse só um vaso de flor novo. Na tributária, as discussões ainda vão começar, mas até aqui tem objetivo arrecadatório“, diz.

Ainda assim, o executivo antevê tendência de alta na bolsa daqui ao fim do ano, embora tema que a percepção de risco possa trazer pressão de alta ao câmbio. Visão semelhante à apresentada por Júlio Ferreira, diretor do Julius Baer Family Office.

“Nos temos de olhar para os fundamentos econômicos em primeiro lugar. A política evidentemente interessa a todos como cidadãos, mas vejo os últimos eventos muito mais como ruído, tendo como fator muito mais fundamental para os mercados, depois de muitas dúvidas, a vacinação finalmente estar avançando no Brasil“, diz.

Na abertura, a inclinação era acentuada, em linha com temores quanto às contas públicas. Afinal, um presidente acuado como tem demonstrado pode implicar maior apetite por gastos para reverter avarias no eleitorado. No entanto, tivemos alta de ponta a ponta, com investidores puxando mais para cima também as mais curtas.

Foi incorporada a antevisão de uma Selic mais alta do que a prevista há uma semana pela média das cem casas de análises e bancos consultados na pesquisa Focus. Para 2021, continuou sendo puxadas para cima a expectativa de inflação, de 6,07% para 6,11%, bem acima do teto da meta em 12 meses, de 5,25%. E a projeção da taxa de referência, depois de andar por alguma pesquisas travadas nos 6,5%, foi puxada aos 6,63% ao ano.

Mas nem tudo é deterioração, vale destacar. Ainda que para o próximo 2022 o mercado tenha puxada a Selic também, de 6,75% para 7,00%, demostra ter recuperado a confiança de que o BC fará seu poder de bala funcionar. E puxou para baixo a projeção de inflação de 3,77% a 3,75%, ainda acima do centro da meta de 3,25% ao ano.

No longo prazo, entra mais na conta o cheirinho de calote na dívida públicas tomando o ar. Taxas para 2031 subiram de 9,25% a 9,23%. O que era queda foi revertido enquanto dava entrevista Bruno Serra Fernandes, em live promovida pelo Santander. O diretor de política monetária do BC disse que o balanço de risco do BC segue pesando mais para o lado negativo, sendo o risco fiscal um dos principais.

Acesse ao conteúdo no site do Valor Econômico: https://valorinveste.globo.com/mercados/renda-variavel/bolsas-e-indices/noticia/2021/07/12/retomada-economica-torna-a-prevalecer-sobre-cena-politica-no-mercado.ghtml

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