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E-Investidor- Como fica a renda fixa com a retomada da economia?

Os investimentos em renda fixa costumam ser mais seguros para os investidores de perfil conservador. Embora as crises decorrentes da pandemia do coronavírus tenham influenciado esses ativos com o cenário de incerteza do País, a retomada econômica pode ser um bom momento para olhar as possibilidades da renda fixa.

A retomada econômica foi potencializada pelo PIB do primeiro trimestre superando as projeções, alcançando 1,2% de crescimento, além de uma série de recordes do Ibovespa. Ao mesmo tempo, houve o aumento da taxa Selic de 2,75% para 3,50% ao ano, pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

“Os títulos indexados à inflação ou pré-fixados, seja de emissão pública ou privada, estão com expectativas altas para os próximos meses”, avalia o economista e sócio da BRA, João Beck. Segundo ele, a mudança da narrativa da economia do País deixou a situação da dívida pública mais confortável.

Entretanto, o investidor deve ficar atento aos gastos do governo para os próximos meses e para 2022. Por ser ano eleitoral, os gastos públicos costumam crescer, independentemente do lado político vencedor. Ele acrescenta que é necessário olhar, ainda, para a crise hídrica por conta de seus reflexos na inflação, já que a conta de luz tende a ficar mais cara.

Com o objetivo de contornar o rendimento baixo entre os títulos públicos, depois que a Selic alcançou os menores patamares, os produtos de crédito privado tomaram espaço durante a pandemia.

Para Rodrigo Mendonça, Analista de Renda Fixa da Valora Investimentos, foi visível uma migração da renda fixa para a Bolsa durante a crise econômica de 2020. “Agora, com a retomada econômica, os fundos de crédito privado têm ganhado atração maior e vislumbram ganhos reais grandes para 2022”, comenta.

O que pode parecer uma sopa de letrinhas, é, na verdade, a possibilidade de emprestar dinheiro a uma instituição para financiar dívidas ou projetos de terceiros e receber o valor de volta com os juros correspondentes. Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI), Debêntures, Letras Financeiras e Nota Comercial são títulos privados de renda fixa.

Para quem busca investir em títulos de crédito privado, além do cenário macroeconômico, Beck destaca que o investidor deve conhecer a empresa e o setor. “O endividamento de empresas do setor de commodities, seja agrícola ou metálica, não foi tão influenciado com a pandemia como outros setores. Por outro lado, construtoras, shoppings e as empresas de educação ainda não recuperaram a saúde financeira, embora o cenário já esteja bem mais confortável”, aponta.

Crédito estruturado

Uma opção, considerada como “renda fixa sofisticada”, são os fundos de crédito estruturados. Estes possuem taxas mais altas, mas prometem retornos maiores por investir em empresas com média ou alta inadimplência. A rentabilidade pode chegar a 130% e 150% do CDI. Para o investidor pessoa física, a forma mais fácil de acesso a esse tipo de investimento é por meio de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC).

Enquanto os FIDCs rendem a partir do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), o retorno das debêntures (investimento em dívidas privadas) é medido pelo Índice de Debêntures Anbima (IDA), que pode ser relacionado com o IPCA.

Segundo Rodrigo Mendonça, o risco de crédito que o investidor percebia como alto de março a maio de 2020 foi diminuindo ao longo do tempo, principalmente em relação às empresas maiores. A recuperação pode ser um bom momento para o investidor entrar nessa classe de fundos, já que as empresas estão bem capitalizadas e podem pagar uma remuneração mais atrativa.

“É um potencial grande por possuir vários ativos, várias debêntures de grandes empresas. É necessário avaliar os riscos corporativos das empresas, mas a liquidez também se torna mais atrativa por ter um prazo de resgate pré-definido”, afirma o analista da Valora Investimentos.

Entre os créditos estruturados, os investimentos são em ativos mais arrojados como CRA e CRI. “Têm menos liquidez, mas possibilitam um rendimento mais alto. Além disso, o crédito estruturado está atrelado a um tipo de garantia, o que garante uma proteção que as debêntures, por exemplo, não têm”, explica Mendonça.

Para Jean Pierre Cote Gil, sócio e diretor do Julius Baer Family Office, o prêmio do crédito estruturado sobre o corporativo não está atrelado a um risco de crédito superior, mas a outros fatores como complexidade analítica. “O crédito estruturado geralmente oferece de 1,0% a 3,0% a.a. de prêmio sobre o crédito corporativo a depender da estrutura e do emissor”, destaca.

Cote Gil complementa que muitos gestores que passaram a incluir instrumentos de securitização na alocação de fundos de crédito de maneira mais consistente, gerou maior familiaridade com a classe de investimento, e é algo que também deve resolver as questões de liquidez ao longo do tempo.

Durante a pandemia, assim como outras classes, o investidor teve receio de apostar nesses ativos. Entretanto, segundo o Analista da Valora, as emissões de crédito estruturado estão altas nos últimos meses e têm potencial promissor para o decorrer do ano. “Com a retomada da economia, até essa classe considerada mais sofisticada, tem tido bastante demanda, especialmente por ter uma taxa de retorno maior.”

Simone Albertoni, analista de produtos de renda fixa da Ágora, ressalta a importância do investidor analisar o risco que ele quer assumir e não pensar somente no lucro. “O retorno pode ser melhor nos títulos privados e os fundos de crédito estruturados ajudam na diversificação da carteira, mas é aconselhável fazer uma boa avaliação e ter o acompanhamento de um especialista”, comenta.

Confira matéria no site do E-Investidor: https://einvestidor.estadao.com.br/investimentos/renda-fixa-retomada-economica-brasil

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