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Estadão – ‘Houve dificuldade geral de percepção da gravidade da crise da covid-19’ – Economia

Entrevista com

Paulo Pereira Miguel, sócio do Julius Baer Family Office

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2020 | 05h00

Se o pequeno investidor está perdido sobre o que fazer com a crise gerada pela pandemia de coronavírus, os donos de grandes fortunas não se veem em situação muito mais clara. Segundo Paulo Pereira Miguel, sócio do Julius Baer Family Office, que cuida dos investimentos de famílias com grande patrimônio, o medo de perdas atingiu a todos neste momento. “Somos todos humanos, os desconfortos e os medos são os mesmos.” O executivo também considera que houve uma dificuldade geral de percepção da gravidade da crise.

O que, em sua opinião, diferencia a crise do covid-19 das demais?

É uma crise distinta, pois é motivada por um elemento exógeno, sem origem financeira. Mas uma coisa não é diferente: mesmo com toda a instabilidade, não se pode perder a alocação estratégica e, mesmo com uma estratégia mais cautelosa, não perder o foco no retorno de longo prazo.

Como, em geral, se dá a alocação dos recursos dos family offices? Qual é o componente de Bolsa?

Os family offices aplicam o patrimônio de uma família ou de um pequeno grupo de famílias. É comum a gente encontrar pedaços relevantes do patrimônio em ativos privados que não são cotados em Bolsa, como empreendimentos imobiliários, especialmente no caso das famílias individuais. Já os consórcios de famílias costumavam ter prevalência de renda fixa, especialmente quando os juros estavam altos. Nos últimos anos, trouxemos profissionais para ajudar esses investidores com alternativas de investimentos privados de longo prazo, com compromissos de quatro ou cinco anos e maior diversificação.

Quem tem muito dinheiro sente medo em uma crise como essa?

Somos todos humanos, os desconfortos e os medos são os mesmos. O grau de ansiedade aumenta, é inevitável. Ninguém antecipou o tamanho dessa crise. Se você já tem uma certa filosofia de ação (de onde o dinheiro deve ser aplicado), facilita. Porque assim se evita um posicionamento de curto prazo que vai ser prejudicial no longo prazo.

De início, a crise foi subestimada?

Todo mundo luta as guerras que já viveu, com ferramentas de que dispõe. Como essa crise foi distinta, houve dificuldade geral de percepção – de governos, das empresas e da sociedade. Quando todo mundo se deu conta, o efeito foi abrupto e veio para todos. Não vivíamos uma pandemia desse porte desde 1918. Estávamos pouco preparados para um evento desse tipo.

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